sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Índios resistem no Setor Noroeste


CONSTRUTORA SÓ QUER RETOMAR AS OBRAS SE HOUVER POLICIAMENTO OSTENSIVO PARA EVITAR CONFLITOS COM OS DEFENSORES DO SANTUÁRIO DOS PAJÉS

28 do 10 de 2011 às 14:24

Sabrina Fiuza_Brasília247 – Um ritual indígena em frente ao terreno em que a Emplavi pretende construir um bloco de apartamentos no Noroeste foi realizado na manhã desta sexta-feira por quinze índios que consideram que as terras são deles. Diante da presença dos índios e de pessoas que os apoiam, a Emplavi, apesar de autorizada pela Justiça, não reiniciou as obras.
De acordo com o advogado da empresa, Nader Franco, a construtora não se sente segura para construir. Ele disse que a empresa aguarda que o governo determine o policiamento ostensivo da área, porque índios e apoiadores do Santuário dos Pajés anunciam que vão resistir às obras. "Viemos garantir que as obras não comecem", reconheceu Gilberto Fulni-Ô.
O advogado da Emplavi explica que após os tumultos ocorridos entre manifestantes e seguranças particulares das empresas, os equipamentos precisam ser reestruturados. "Isso não acontece da noite para o dia", diz. Mas Franco afirma que, apesar de não ter data marcada, a Emplavi pode retomar as obras no sábado ou na segunda-feira. "Quando a Emplavi se sentir segura, ocupará o local", assegura.
"Queremos manter a área protegida para que seja feito um novo estudo", diz o estudante de direito Diego de Paula, 24 anos, referindo-se à dúvida se a área é ou não indígena. "Mas, se construírem, destruirão todas as provas de existência indígena."
Interessados nos imóveis do bloco J da SQNW 108, a ser construído pela Emplavi, foram ao local para acompanhar a situação. "Aqui não é lugar de índio, nem nunca foi", disse um homem que não quis se identificar. "Vou comprar um apartamento bem aqui." "A gente veio aqui ver a área, mas não tem como ficar, eles assustaram a gente", disse uma mulher, referindo-se à presença dos índios.
Para o extensionista rural Francisco Delano, 26 anos, a audiência judicial realizada na quinta-feira não foi suficiente para esclarecer todas as questões. "Não foi clara quanto ao direito das outras empreiteiras construírem", afirma.
"Ficou claro o amadorismo com que Funai trata as questões indígenas", disse um apoiador que não quis se identificar. "Jogaram antropólogos e montaram equipe, para depois rejeitar".
Fonte: 

terça-feira, 25 de outubro de 2011

DIREITOS INDÍGENAS: a resistência do Santuário dos Pajés


Em plena capital federal, indígenas e cidadãos enfrentam tratores, capangas, mega empresas e o próprio governo em defesa do Cerrado e do Santuário dos Pajés

Revista Caros Amigos
Por Thiago de Ávila 


Depois de sugar suas veias, eliminam-se os índios


Já se passaram quase 520 após o desembarque do explorador Colombo no continente americano e até hoje não fomos capazes de pensar, enquanto um só povo, uma solução para a coexistência pacífica, respeitosa e cordial com aqueles que habitavam esta terra muito antes da “conquista”.
Já sabemos que das veias abertas de nosso continente jorrou a prata de Potosí, o ouro de Veracruz e Vila Rica, o petróleo de Maracaibo, o gás natural e a coca andina, o cobre chileno, o pau-brasil, o charque, a cana, o café, a borracha e inúmeros outros frutos de nosso continente, que seguem sendo alvo do grande capital, em sua busca de manter a insustentável máquina de devastação e exploração capitalista, que ou devora a si própria ou destrói todo o mundo com ela.

Neste sentido, a luta pela preservação da Terra Indígena Bananal, onde está situado o Santuário dos Pajés, assume um caráter ainda mais fundamental. No coração de Brasília, no centro da América do Sul, um santuário indígena de 54 anos inserido em um dos biomas mais agredidos do planeta resiste aos tratores da especulação imobiliária e da corrupção institucional que, desavergonhadamente, exploram e escravizam a população com seu projeto parasita de consumo e destruição desenfreados.

Com o apoio de sucessivos governos notoriamente corruptos, as construtoras se aproximaram cada vez mais da Terra Indígena. Lá, destruíram o Cerrado nativo e suas nascentes, impermeabilizaram o solo em zonas de recarga hídrica, derrubaram inúmeras árvores, mataram diversos animais e, claro, ameaçaram os que se colocaram em seu caminho.
A cada quilômetro que avançam, os especuladores iniciam prédios superfaturados em uma área que já tem o metro quadrado mais caro do país. Apesar de tudo isso, ainda divulgam que esta nova área residencial, o Noroeste, é o “primeiro bairro ecológico do Brasil”. Pura hipocrisia.
Brasília: a Meca da especulação
A luta institucional iniciou-se há vários anos, quando representantes da população indígena do local, militantes sociais e ambientalistas buscaram o Ministério Público, a Funai (que deveria defender os indígenas mas, constantemente, se opõe aos interesses deles), o Ibama, a Polícia Federal, o Legislativo e o Executivo para impedir a destruição da última área de Cerrado nativo dentro do Plano Piloto.
No entanto, a ação destes órgãos sempre foi a de deliberadamente ignorar a demanda social e ambiental da população. Algumas louváveis exceções, que tentaram buscar uma solução para a preservação da área, foram afastadas ou reprimidas pelo poder das grandes construtoras.
Cabe lembrar que estas empresas são importantes financiadoras das campanhas de políticos atualmente no governo, além de serem algumas das maiores anunciantes dos meios de comunicação hegemônicos.

O Ministério Público até tentou parar as obras ilegais, mas teve suas ações anuladas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) da época, Gilmar Mendes. A Funai sequer entregou o laudo antropológico feito por dois especialistas da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) em que a ocupação tradicional indígena da área é comprovada e que, portanto, legitima a reivindicação de demarcação do Santuário dos Pajés.
Os órgãos ambientais emitiram licenças mais que duvidosas, enquanto o Legislativo e o Executivo só agravaram a situação, ao optarem pela defesa dos interesses do grande capital.

Segundo a Operação Caixa de Pandora, realizada pela Polícia Federal em setembro de 2009, cada deputado que votou a favor do PDOT (Plano Diretor de Ordenamento Territorial, que possibilitou a criação do setor Noroeste) recebeu R$ 420 mil de propina do então governador José Roberto Arruda.
Até hoje, mesmo após a comprovação da corrupção, cassação de deputados e a prisão do ex-governador, o PDOT não foi revogado, nem revisado.

Embasados neste PDOT, as construtoras rasgaram a terra e devastaram centenas de hectares da última área de Cerrado nativo no DF para a construção do “bairro verde”. As ameaças aos indígenas, os sucessivos incêndios criminosos e a tentativa de grilagem de suas terras custaram muito às famílias indígenas, que viram seus filhos e esposas irem embora para outras regiões para fugirem do assédio e das violações dos direitos humanos ali perpetrados.
Um novo governo com velhos métodos
Com a promessa de “um novo caminho”, Agnelo Queiroz lançou-se candidato ao governo do Distrito Federal pelo PT. No entanto, seu candidato a vice-governador era um dos mais históricos coronéis políticos da cidade: Tadeu Filipelli, do PMDB. Com o apoio do grande capital, do cartel do transporte público, dos meios de comunicação e da candidata Dilma, Agnelo foi eleito e, desde o início, acabou mantendo o mesmo modelo discriminatório, segregador e corrupto que governa Brasília há 50 anos.

Seguindo os mesmos métodos do governo neoliberal anterior (gastos exorbitantes em propaganda e subserviência às empreiteiras e grandes empresas e mantendo o processo de especulação imobiliária), o novo governador iniciou seu mandato tratando com truculência a ocupação na Ceilândia feita pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), onde cerca de 600 famílias reivindicavam acesso a seus direitos de moradia digna e universal.
Ao contrário de ouvir as demandas da população, Agnelo utilizou a força para desocupar, prender e ameaçar as famílias sem-teto. Como reflexo dessa criminalização, alguns meses depois, Edson, um dos dirigentes do MTST (ameaçado de morte pelos especuladores), foi alvejado com 18 tiros, sendo atingido de raspão no lado esquerdo do peito.
Ao invés de investir em um programa habitacional que diminua o déficit de 350 mil moradias na região, o governo tornou-se um participante ativo da especulação com o programa “Minha Casa, Minha Vida”, inflacionando ainda mais o preço de moradia digna para a população.

A consolidação da opção pela defesa dos interesses do mercado se deu no início de outubro, quando o governador cogitou a indicação do famigerado Antônio Gomes para o cargo de presidente da Terracap (instituição responsável pela questão fundiária no DF).
Advogado das construtoras que estão invadindo o Santuário dos Pajés e um dos mais ferrenhos inimigos da resistência indígena no local, Antônio Gomes ocupou este mesmo cargo no governo Arruda. Após duas semanas de denúncia e críticas de diversos segmentos e movimentos sociais (inclusive de sua própria base), o governo finalmente recuou em sua decisão de indicar Gomes como o novo presidente da Terracap.

É importante lembrar que devido à sua atuação fundada em práticas reprováveis, o governador do DF está envolvido em graves pendengas judiciais. Em maio deste ano, o MPF do Rio de Janeiro moveu ação contra ele, por superfaturamento no Pan, em 2007, na época em que era ministro do Esporte.
Por conta disso, Agnelo teve seus bens bloqueados pela justiça. Este caso ainda não foi encerrado. Em meados de outubro, uma antiga denúncia da época da campanha tornou-se manchete na mídia nacional ao expor o seu possível envolvimento em um esquema de desvio de dinheiro do programa Segundo Tempo, também quando era ministro. Por conta desta denúncia, Agnelo será investigado pelo MPF e poderá ter seu sigilo bancário e telefônico quebrados.
Outubro decisivo
O governo e as empresas imobiliárias especuladoras tentaram de todas as formas boicotar a participação do filme “Sagrada Terra Especulada” no 44o Festival de Cinema de Brasília, realizado este ano. O filme não foi divulgado na programação impressa e sua exibição aconteceu apenas uma vez, no meio da tarde de uma quarta-feira.
Mesmo assim, o documentário que conta a história do Santuário e denuncia a construção do setor Noroeste foi premiado no festival, recebendo muitos aplausos e reverências da população do DF. Esta vitória proporcionou uma projeção ainda maior da luta contra a especulação e pela defesa do Santuário.

Prevendo a derrota no plano de saque da terra, no último dia 3 de outubro, a construtora Emplavi (que doou R$ 150 mil para a campanha de Agnelo) invadiu a área do Santuário dos Pajés com tratores, caminhões, trabalhadores e 17 homens armados com pistolas, cassetetes, sprays de pimenta e armas de choque, em uma verdadeira operação paramilitar ilegal contra o Cerrado, os indígenas e toda a população do DF.
Com a presença cúmplice da Polícia Militar, foi destruída uma enorme área de mata nativa em plena luz do dia. Infelizmente, este é um comportamento comum e esperado por parte das construtoras, acostumadas a invadir, destruir, construir e depois buscar alguma brecha jurídica para seus empreendimentos, sempre baseados na teoria do “fato consumado”.
A resposta governamental a essas agressões é sempre a mesma: a legalização, anistia de dívidas em troca de financiamento político para campanhas e pagamentos aos chefes desta política vergonhosa e escandalosa, porém, tristemente previsível no Distrito Federal.

Mas a construtora e o governo não imaginavam que tal ação estimularia a resistência dos indígenas e da população que, com muita coragem e senso inalienável de justiça, se acorrentaram aos tratores, arrancaram as cercas e derrubaram as torres de vigilância da construtora ilegal.
Imediatamente após a derrubada, os apoiadores do Santuário dos Pajés iniciaram o plantio de mudas de árvores do Cerrado para restaurar a fauna local. Após esta impressionante resposta da população, a Emplavi e a Polícia Militar do DF se comprometeram em parar a obra até que a situação jurídica de demarcação da Terra Indígena fosse resolvida.
Este acordo foi descumprido por quatro vezes desde então, sempre respondido à altura pela população, que se acorrentava aos tratores, abraçando árvores e derrubando cercas erguidas ilegalmente. Com a abertura do precedente, e apesar da resistência dos indígenas e dos apoiadores nesta guerra campal, a Brasal Incorporações e depois a João Fortes Engenharia (utilizando os mesmos tratores e a mesma empresa de segurança) invadiram o local.
O fato de ser a mesma equipe e as mesmas máquinas demonstram o quão articulado é o cartel paramilitar da especulação imobiliária no DF. A estratégia das construtoras e do governo cúmplice é a de destruir as evidências antropológicas e o Cerrado, para que não haja mais o que preservar e a área seja entregue de bandeja às negociatas e à Terracap, que é onde deságua grande parte da corrupção no Distrito Federal.

Este processo nos deixa algumas lições claras sobre a forma de agir do grande capital, através da invasão, grilagem, devastação, agressão e ameaças. Além disso, explicita que não é possível confiar em um governo financiado pela máfia das empreiteiras e, portanto, cúmplice delas. Na Caixa de Pandora, que ainda precisa ser devidamente aberta no Distrito Federal, o governador Agnelo cumpre um papel fundamental, principalmente agora como novo mantenedor do status quo.

O silêncio cúmplice do governo federal também não pode deixar de ser notado nesta questão, pois é de um significado enorme que, a menos de 15 quilômetros do palácio presidencial do Brasil, não se defenda o único lugar de preservação da cultura indígena viva em Brasília.
O Santuário dos Pajés é o Belo Monte em plena capital federal, e permitir sua destruição é entregar-se para sempre aos mandos do grande capital no governo e em nossas vidas. A destruição do Santuário dos Pajés seria uma mancha eterna no governo neodesenvolvimentista de Dilma e do PT.
Receita de nosso futuro
Uma coisa é certa: a resistência segue na Terra Indígena Santuário dos Pajés. Não cederemos nem um milímetro à sede de lucro das empreiteiras e dos corruptos históricos da cidade e de fora (até o banco Opportunity, de Daniel Dantas, entrou na fila para saquear o Cerrado do DF).
Pararemos todas as máquinas e ferramentas que tentarem mais uma vez violar o solo sagrado do Cerrado. Este é o compromisso de todos da resistência com nossos filhos, netos e bisnetos, que precisarão de um mundo livre, preservado e em paz com justiça social para viverem.

Sonhamos com um local onde nossos filhos terão a oportunidade de visitar, ver e comer, por exemplo, mandioca orgânica e pequis. Um local onde possam olhar os pássaros e macacos do Cerrado vivendo livres. Sonhamos com um mundo onde os povos originários não sejam escravizados, explorados ou humilhados; mas sim reverenciados e cultuados, pois possuem a sabedoria que é cada dia mais importante e rara no mundo de hoje.
Diferente de nós, os indígenas sabem coexistir em harmonia com a natureza. Não há dúvidas de que, assim como os índios colherão os frutos replantados desta resistência, os frutos colhidos por todos nós nesse processo serão doces, emancipadores e capazes de ecoar através dos continentes e da história.

Thiago de Ávila é membro da Assembleia Popular do DF 
Fonte: Revista Caros Amigos, consulta realizada dia 25 de outubro de 2011
http://carosamigos.terra.com.br/index/

Justiça Federal toma nova decisão e Movimentos Sociais criam site de resistência, confira!


Visite o site do Movimento Santuário Não Se Move !

Informamos que o site do coletivo do Movimento Santuário Não Se Move é ohttp://santuarionaosemove.net/

No site coletivo indicado buscaremos reunir o máximo de informações possíveis sobre a luta de resistência contra a construção ilegal do Setor Noroeste e manteremos atualizadas notícias sobre os acontecimentos relacionados à luta.

O blog que você está acessando nesse momento (sagradaterraespeculada.blogspot.com) é a página do Documentário "Sagrada Terra Especula - A luta contra o Setor Noroeste, onde serão mantidas informações relacionadas ao Documentário, exibições do documentário e informações sobre participação em festivais e prêmios.

Recomendamos a tod@s que acompanhem os desdobramentos da luta e se informem pelo http://santuarionaosemove.wordpress.com/, pois é nele que concentraremos esforços de atualizar com frequência, de aprimorar ao máximo a organização das informações....

Não podemos deixar no entanto de apresentar outras fontes de informação sobre a luta. Estas são:
http://pisaligeiro.com.br/ - Portal da arte pelo Santuário!
http://www.midiaindependente.org/ - Centro de Mídia Independente
http://santuariodospajes.blogspot.com/ - Blog da Comunidade Tapuya Fulni-ô no Santuário dos Pajés

domingo, 23 de outubro de 2011

Degradação ambiental em terra indígena por empresas do DF e recuperação por AMBIENTALISTA S

Apoiadores da causa indígena do Santuário dos Pagés, de Brasília,  ambientalistas, indigenistas e defensores de direitos humanos se reuniram para recuperar área degradada pelas ditas "poderosas" empresas que estão envolvidas em doações de campanha para o Governador do DF e Corrupção Pública.
Segue filmagem feita no sábado,  22/10/2011.
Já Basta tanta corrupção!

A vitória chegará, para isso temos que LUTAR!!!

Por Dignidade de Moradia em Brasília, pela defesa dos direitos humanos, por igualdade real entre índios, brancos e negros, e por proteção ambiental para manutenção da qualidade de vida às presentes e futuras gerações.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Em Brasília, cassetetes e armas de choque contra defensores do Santuário dos Pajés

Defensores dos direitos indígenas foram agredidos por seguranças particulares da construtora que usaram armas de choque elétrico e cassetetes


Danielle Ferreira
Brasília (DF)




Nos últimos dias, um conflito que ocorre há anos na capital federal vem finalmente ocupando algum pedaço dos noticiáros, poucas páginas da grande imprensa e relativa atenção dos brasilienses. No centro da disputa está o Setor Noroeste, uma área de proteção ambiental, com nascentes e rica fauna e flora. De um lado está uma comunidade indígena Fulni-o Tapuya, que afirma residir no local há mais de 40 anos e batalha pelo reconhecimento e demarcação da terra. Do outro, as empreiteiras Emplavi e Brasal (e todo o poder político que o dinheiro pode comprar), interessadas em erguer o mais novo e cobiçado bairro de classe média alta de Brasília, onde um metro quadrado custa em torno de R$ 8 mil.
Desde o dia 3 deste mês, o Setor Noroeste é palco de disputa entre indígenas, sociedade civil e as empreiteiras, que deram início à construção dos prédios habitacionais. Os conflitos, suspensos no dia 6 e retomados no dia 11, tiveram a participação de milicianos (liderados por um Tenente Coronel da Polícia Militar do Distrito Federal) contratados pelas construtoras. Quem explica é o advogado dos indígenas, Ariel Foina. Na última quinta (13) e sexta-feiras (14) houve mais confrontos entre índios, estudantes e funcionários da empresa.
“Indígenas foram feridos, atacados com spray de pimenta. Um deles chegou a ser amarrado e exposto para os trabalhadores, só sendo libertado por intervenção da PM”, conta o advogado.
Frente aos acontecimentos da semana passada, na sexta-feira (14) reuniram-se o Governo do Distrito Federal (GDF), a Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), o Ministério Público Federal e a Fundação Nacional do Índio (Funai). À pedido do presidente da Associação de Construtotas, que não pôde participar, nova reunião foi remarcada para a próxima terça-feira (18). “Até lá, as obras no Setor Noroeste estão suspensas por acordo, até que haja uma reunião com todos, incluindo a Associação de Empresas da Construção Civil, Terracap, indígenas, GDF e Funai”, diz Foina.
No entanto, nesta segunda-feira (17), mais uma empreiteira, a João Fortes, decidiu entrar na disputa e agravar o quadro de violência entre índios, sociedade civil e empresários. Os confrontos duraram de 10 da manhã às duas da tarde. A empreiteira acabou recuando. Um jornalista foi eletrocutado com uma arma de choque.
De acordo com o advogado, a comunidade luta desde 1991 junto à Funai pelo direito à terra. Já no Judiciário, a batalha é travada desde 2005. Ele explica que, com o recente parecer de antropólogos reconhecendo o local como área indígena, os Fulni-o Tapuya passaram a ser atacados pelas empreiteiras. Fato este que, segundo Foina, é visto pela comunidade com preocupação, uma vez que correm o risco de serem expulsos do Noroeste antes de o Judiciário poder dar uma decisão final sobre a questão. “A situação encontra-se em armistício até que se defina a questão do tamanho da área indígena, pois o relatório antropológico feito não especificou os exatos limites da area”, explica.
Esta não foi a primeira vez que as empreiteiras Emplavi e Brasal tentaram dar início às obras na região.
Sobre intereses
Ariel Foina comenta que, apesar de ter o direito de permanecer na terra por ser comunidade indígena reconhecida, os Fulni-o não tiveram os limites do seu território demarcado pela Funai, o que teria causado a invasão da área pela Emplavi.
A empreiteira figura-se na lista dos principais financiadores da campanha política do atual governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), que doou exatos R$ 150.880,00 à campanha petista, como é possível comprovar no site do Tribunal Regional Eleitoral.
Além disso, a Emplavi contratou para sua defesa o ex-presidente da Terracap, o advogado Antônio Gomes: “O mesmo que vendeu as terras indígenas quando presidiu a empresa durante o governo Arruda, e que, ao vendê-las, omitiu das empreiteiras que se tratavam de terrenos em área já identificada pelo Ministério Público Federal como de ocupação tradicional indígena”.
E falando no governo de José Roberto Arruda (sim ele!) e seu vice, o riquíssimo construtor Paulo Octavio), vale lembrar que foram eles os responsáveis pelo andamento dos processos (liberação de licença e licitações) no Setor Noroeste. Em 2010, a Terracap comemorou a arrecadação de 290 milhões de reais em áreas licitadas. “O Setor Noroeste foi responsável por 32% da arrecadação nesta licitação”.
Agora, com governos focados na Copa do Mundo, que terá Brasília como uma das sedes dos jogos, as preocupações dos indígenas do Noroeste aumentam, assim como a tensão na região.
Sagrada Terra Especulada(A luta contra o Setor Noroeste) Documentário – 70min from Muruá on Vimeo.
Mais sobre o assunto: Indígenas do Santuário dos Pajés são espancados por seguranças de construtora Sagrada Terra Especulada
Fonte: Brasil de Fato

Seguranças e manifestantes se enfrentam em obra no Setor Noroeste


Publicação: 17/10/2011 13:52 Atualização: 17/10/2011 21:48
 (Rafael Ohana/CB/D.A Press )

Seguranças de uma construtora reagiram com armas de choques e cassetetes a uma manifestação em um canteiro de obra no Noroeste. O protesto é realizado por ambientalistas e estudantes que defendem a manutenção de uma reserva indígena no setor. A Polícia Militar estava presente no momento da agressão, mas alegou que não poderia agir por se tratar de área privada. 

Os manifestantes alegam que a construtora Brasal desrespeitou a decisão da juíza Clara da Mota dos Santos, da 11ª Vara da Justiça Federal do DF. No dia 14 de outubro, a magistrada proibiu obras na área reivindicada pelos índios até o dia 27 de outubro, quando será feita uma audiência pública com a presença da Fundação Nacional do Índio (Funai) e demais órgãos envolvidos, para decidir a situação da área de 50 hectares que está em litígio. Na ocasião, ela pediu também que os manifestantes interrompessem os protestos.

De acordo com o diretor da Brasal Incorporações, Dilton Junqueira, as obras estão paralisadas desde a última sexta-feira (14-10), mesmo sem terem recebido notificação da Justiça. "Não fomos informados hora nenhuma. Os manifestantes estão falando de 50 hectares, mas para onde?", questionou.


Os manifestantes garantem que as atividades continuaram e em represália resolveram derrubar a cerca do canteiro de obras da construtora João Fortes, onde quebraram as tendas e retiraram uma caixa d´água. Em seguida, o grupo fez uma fogueira com o material.

Alguns manifestantes decidiram deixar o local, mas os outros permanecem acampados, inclusive na área do santuário. De acordo com eles, a intenção é mobilizar mais pessoas no sábado (22/10).



http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2011/10/17/interna_cidadesdf,274247/segurancas-agridem-manifestantes-em-obra-no-setor-noroeste.shtml

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Carta para a população em defesa da demarcação do território indígena do Santuário dos Pajés


Há evidências arqueológicas de que o território do Distrito Federal tem servido de refúgio à população indígena brasileira há séculos. A partir do final dos anos 50, diversas etnias, entre eles os Fulni-ô e os Tuxá, se fixaram na área de cerrado acima da Asa Norte, praticando sua religião e cultos. Nos últimos anos, o projeto especulativo do Setor Noroeste vem atacando esse território sagrado, o Santuário dos Pajés, sem levar em consideração a legislação que garante os direitos dos povos indígenas às terras de uso tradicional e religioso.
 
O Setor Noroeste foi inicialmente previsto por Lúcio Costa como um espaço de expansão de moradias para classes C, D e E, já que a população do DF crescia além do esperado e novas áreas de moradia deveriam ser criadas “SE NECESSÁRIO FOR”.
 
Apesar do déficit de moradias no DF ser majoritariamente de pessoas que recebem menos de 2 salários mínimos (95 mil famílias), o Setor Noroeste direciona seus empreendimentos para a população de altíssima renda, com imóveis cujo metro quadrado chega a R$ 20 mil. Esses altos investimentos demonstram o claro interesse especulativo de pessoas que fazem da moradia um negócio e não um direito.
 
Essa completa inversão de um interesse social a um interesse privado ocorreu durante a preparação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT - 2007), aprovado durante o governo Arruda. O mercado especulativo, representado emblematicamente pelo então vice-governador, Paulo Octavio, influenciou diretamente a elaboração do PDOT e negociou com os deputados distritais sua aprovação. Denúncias que vieram a público com a Caixa de Pandora acusam os deputados distritais de terem recebido R$ 450 mil pelo voto favorável.
 
Ao mesmo tempo, a Fundação Nacional de Amparo ao Índio (Funai), que deveria atuar com o objetivo de defender os direitos dos povos indígenas, vem complicando e atrasando o processo de demarcação do território. O estudo antropológico encomendado pelo órgão para verificar a existência de ocupação tradicional indígena no Santuário dos Pajés está pronto desde agosto e indica de maneira imperativa a necessidade de demarcação da área por meio da formação de um Grupo de Trabalho para a delimitação do território, mas a Funai insiste em não encaminhá-lo à Justiça, alegando que não recebeu o documento. Prova contrária é que o laudo já foi disponibilizado na internet pelo antropólogo responsável, Jorge Eremites de Oliveira (http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2011/10/498391.shtml ).
 
No decorrer desses últimos anos, várias foram as manifestações e protestos contra esse desrespeito aos índios, às leis e a toda população.  Todos os agentes citados acima desrespeitam a Constituição Nacional que determina:
 
Art.231 São terras tradicionais ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem estar e as necessárias à sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.
 
Nas primeiras semanas de Outubro de 2011 iniciou-se um ataque das construtoras às terras reivindicadas pelos índios. Elas alegam a posse da terra dada pela Terracap, que promoveu os leilões da área de maneira ilegal (pois não realizou todos os estudos necessários), processo esse já questionado pelo Ministério Público. Dessa maneira, tanto os indígenas quanto centenas de apoiadores estão resistindo fisicamente ao avanço da construção que já desmatou cerrado nativo em terreno de reza indígena, incluindo provas naturais e materiais da presença indígena.
 
Infelizmente os direitos constitucionais dos povos indígenas ficam a mercê dos interesses políticos e da enorme influência econômica envolvida. Por isso se faz necessário as ações radicalizadas em defesa direta do território em disputa e pela visibilidade social da problemática, pois o modo como os órgãos responsáveis vem agindo demonstra o alcance das influências citadas em contraposição ao interesse da sociedade e à constituição.
 
Neste momento a luta contra a invasão realizada pela Emplavi continua na busca de evitar que o extermínio indígena seja mantido da mesma forma que se iniciou, de maneira bruta e sistemática, sempre apoiado por Juizes que mais atuam em interesse privado do que em defesa da justiça. Pois se assim o fosse, nenhum bloco deveria ter sido erguido em toda área até que todos os estudos exigidos, inclusive o da demarcação da terra indígena, fossem realizados, tendo várias provas da ocupação sido destruídas pelo que já foi construído.
 
 
Apoiadores da Causa:
 
Coletivo Rodamoinho
Coletivo Palavra
Coletivo da Cidade
Coletivo Luta Vermelha – CLV
Coletivo Muruá
Centro Acadêmico de Sociologia – UnB
Estudantes do Instituto Federal de Brasília – IFB
Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto Nacional – MTST
Grupo de Apoio ao Meio ambiente - GAMA
Movimento Passe Livre – MPL
Convergência dos Grupos Autônomos – CGA
SOS Clima Terra
Projeto 10 por hora
Sociedade das Bicicletas
Centro de Mídia Independente
Assembléia Popular
Marcha das Vadias
Fórum de Mulheres do DF
Movimento Cerrado Vivo
NESCUBA- UnB
Centro Acadêmico de Antropologia- UnB
Centro Acadêmico de Serviço Social - UnB
CINEstesia, cineclube do Centro Educacional do Lago Norte
Centro Acadêmico de História - UniCEUB
Coletivo Domingo no Parque
Diretório Central dos/as Estudantes - UnB
Coletivo Unificado de Mulheres da UnB
Comitê Universitário em Defesa das Florestas e do Des. Sustentável
Sindical - Sindicato dos Trabalhadores da Camara Legislativa do DF
CFEMEA – Centro Feminista de Estudos e Assessoria
Fórum de Mulheres do Distrito Federal
Partido Socialismo e Liberdade - PSOL/DF
Comitê Popular da COPA
Movimento Brasília Sempre Viva
Zine IN.CA.
Coletivo Cannacerrado
CONAMI-DF, Conselho Nacional de Mulheres Indigenas
CENTRO DE PROMOÇÃO DA CIDADANIA E DEFESADOS DIREITOS HUMANSO PE. JOSIMO (PI)
Estruturação
Articulação de Mulheres Brasileiras - AMB
Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação
Coletivo BeD.
Forum de Mulheres da Amazônia Paraense - FMAP
Movimento e Articulação de Mulheres do Estado do Pará - MAMEP
Frente Candanga Hip Hop contra a Corrupção
ASPCEL (Ação pela Cultura, Esporte e Lazer). Movimento popular da Expansão do Setor O - Ceilândia
INSTITUTO PACTOS DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL SUSTENTÁVEL
Centro Acadêmico de Artes Cênicas - UnB
Teatro da Sacola
Nosso Coletivo Negro
Associação Calango Candango
Coletivo Ativismo ABC e Casa da Lagartixa Preta Malaguenha Salerosa
Óbvios Mexidos Coletivo Cóm

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Empresa do DF suspende obras em área disputada com indígenas



Funai, indígenas e construtora farão nova reunião para discutir questão.
Construtora disse que vai abrir caminho alternativo para chegar a santuário.



Seguranças usam arma de choque para controlar conflito em Brasília (Foto: Reprodução/TV Globo)Seguranças particulares de construtora usaram
arma de choque para conter conflito no Noroeste
(Foto: Reprodução/TV Globo)



Ambientalistas que defendem que parte do Noroeste, região nobre de Brasília, deve ser considerada reserva indígena entraram em confronto com os seguranças particulares de uma das construtoras com obras no local na manhã desta segunda-feira (17).
Um grupo de jovens foi agredido com armas de choques e cassetetes depois de entrar em área cercada pela construtora. A Polícia Militar estava presente no momento da agressão e alegou que não poderia agir por se tratar de área privada.
O documentarista Antônio Francisco disse que foi agredido com arma de choque ao se aproximar da confusão. Ele disse que desde 2007 está registrando todas as ações que estão sendo realizadas no Setor Noroeste. "Fui buscar um melhor ângulo, uma posição mais adequada para fazer o trabalho e tomei o choque", disse.
A Polícia Militar informou que o uso de arma de choque é ilegal. Ele recomendou que o manifestante agredido fosse à delegacia para registrar ocorrência.
Os manifestantes alegam que duas construtoras estariam desrespeintando uma decisão da juíza Clara da Mota dos Santos, da 11ª Vara da Justiça Federal do DF. No dia 14 de outubro, ela proibiu obras nos 50 hectares reivindicados pelos índios até o dia 27 de outubro.
Segundo a a assessoria da Justiça Federal do DF, a juíza pretende realizar, no próximo dia 27, uma reunião com a Fundação Nacional do Índio (Funai) para decidir a situação do Setor Noroeste.
Funcionários com crachá e camisa da Emplavi se envolveram na confusão. Em nota, a empresa afirmou que "não houve nenhum confronto entre manifestantes, seguranças e funcionários da Emplavi no Setor Noroeste".
O advogado da construtora João Fortes, Demas Correia Soares, alegou que a empresa tem a escritura pública e o alvará de construção. "Com essa documentação poderíamos fazer as obras. Não fomos intimados da decisão [da juíza Clara da Mota dos Santos]. Para evitar litígio, a direção da João Fortes determinou que as obras fossem paradas", afirmou Soares.
Os indígenas não estavam presente no início do conflito entre os ambientalistas e seguranças. Representantes da comunidade chegaram quando a situação estava controlada. Um deles disse apenas que não vão falar mais sobre o caso até ter uma decisão oficial da Justiça.
Os manifestantes derrubaram a cerca do canteiro de obras da construtora João Fortes, quebraram as tendas e retiraram uma caixa d´água. Em seguida, eles fizeram uma fogueira com o material.
Estudantes e agentes de segurança entraram novamente em conflito nesta sehunda-feira (17) no Setor Noroeste, em Brasília (Foto: Rafaela Ceo / G1)Ambientalistas e agentes de segurança entraram novamente em conflito nesta segunda (17) no Setor Noroeste, em Brasília (Foto: Rafaela Ceo / G1)
Brasal Incorporações
Na última quinta-feira (13), estudantes, índios e seguranças particulades da Brasal Incorporações entraram em conflito. O confronto teve início após funcionários da construtora Brasal chegarem para fazer a limpeza do terreno, onde a empresa pretende construir um edifício com 72 apartamentos de três e quatro quartos e 12 duplex com cobertura privativa, cujas áreas vão de 126 m² a 325 m².


As obras no terreno da Brasal foram suspensas na sexta-feira (14). De acordo com o delegado Marcelo Araújo, que acompanhou as discussões na sexta, a Funai vai organizar uma nova reunião “para que as partes envolvidas cheguem a um denominador comum”.


Segundo o indígena Tainã, em entrevista dada ao G1, no dia 14, o novo encontro deve acontecer nesta terça-feira (18) e também contará com membros do Ministério Público e da Terracap. Ele disse que o objetivo é das discussões iniciar o processo de demarcação do território da reserva.

Ambientalistas derrubaram estrutura das construtoras com obras no Noroeste nesta segunda (17) e fizeram fogueira com material (Foto: Rafaela Ceo / G1)Ambientalistas derrubaram estrutura das construtoras com obras no Noroeste nesta segunda (17) e fizeram fogueira com material (Foto: Rafaela Ceo / G1)
Disputa judicial
Os índios e as construtoras disputam a posse de uma área no Setor Noroeste, uma das mais valorizadas do Distrito Federal, onde o metro quadrado construído, vendido na planta, supera R$ 10 mil.
Os índios reivindicam uma área de 50 hectares no Noroeste e questionaram no Tribunal Regional Federal da 1ª Região a isenção de outra juíza, Candice Lavocat Galvão Jobim, da 2ª Vara da Seção Judiciária do DF, para julgar uma ação civil pública sobre a posse do terreno.
Candice é irmã de Marcelo Galvão, procurador-geral do DF durante a gestão de José Roberto Arruda (2006-2010). Antes de ocupar o cargo, ele era consultor jurídico do GDF, vinculado ao gabinete do vice-governador e, segundo o processo proposto pelos índios, teria participado de estudos de implantação do Noroeste.
http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2011/10/segurancas-usam-arma-de-choque-para-controlar-conflito-no-noroeste.html
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