CONSTRUTORA SÓ QUER RETOMAR AS OBRAS SE HOUVER POLICIAMENTO OSTENSIVO PARA EVITAR CONFLITOS COM OS DEFENSORES DO SANTUÁRIO DOS PAJÉS
Sabrina Fiuza_Brasília247 – Um ritual indígena em frente ao terreno em que a Emplavi pretende construir um bloco de apartamentos no Noroeste foi realizado na manhã desta sexta-feira por quinze índios que consideram que as terras são deles. Diante da presença dos índios e de pessoas que os apoiam, a Emplavi, apesar de autorizada pela Justiça, não reiniciou as obras.
De acordo com o advogado da empresa, Nader Franco, a construtora não se sente segura para construir. Ele disse que a empresa aguarda que o governo determine o policiamento ostensivo da área, porque índios e apoiadores do Santuário dos Pajés anunciam que vão resistir às obras. "Viemos garantir que as obras não comecem", reconheceu Gilberto Fulni-Ô.
O advogado da Emplavi explica que após os tumultos ocorridos entre manifestantes e seguranças particulares das empresas, os equipamentos precisam ser reestruturados. "Isso não acontece da noite para o dia", diz. Mas Franco afirma que, apesar de não ter data marcada, a Emplavi pode retomar as obras no sábado ou na segunda-feira. "Quando a Emplavi se sentir segura, ocupará o local", assegura.
"Queremos manter a área protegida para que seja feito um novo estudo", diz o estudante de direito Diego de Paula, 24 anos, referindo-se à dúvida se a área é ou não indígena. "Mas, se construírem, destruirão todas as provas de existência indígena."
Interessados nos imóveis do bloco J da SQNW 108, a ser construído pela Emplavi, foram ao local para acompanhar a situação. "Aqui não é lugar de índio, nem nunca foi", disse um homem que não quis se identificar. "Vou comprar um apartamento bem aqui." "A gente veio aqui ver a área, mas não tem como ficar, eles assustaram a gente", disse uma mulher, referindo-se à presença dos índios.
Para o extensionista rural Francisco Delano, 26 anos, a audiência judicial realizada na quinta-feira não foi suficiente para esclarecer todas as questões. "Não foi clara quanto ao direito das outras empreiteiras construírem", afirma.
"Ficou claro o amadorismo com que Funai trata as questões indígenas", disse um apoiador que não quis se identificar. "Jogaram antropólogos e montaram equipe, para depois rejeitar".
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